VOCÊ SABE O QUE É UM SERVIÇO DE REVISÃO?

Você sabe o que é um serviço de revisão? O que é revisar um texto? Quanto tempo leva para revisar um parágrafo? Uma página? A resposta provavelmente é: “SIM! SEI!” ou “É corrigir, oras!” ou ainda “É rápido, uma passada de olhos e pronto!”

Você sabe o que é um serviço de revisão? O que é revisar um texto? Quanto tempo leva para revisar um parágrafo? Uma página? A resposta provavelmente é: “SIM! SEI!” ou “É corrigir, oras!” ou ainda “É rápido, uma passada de olhos e pronto!”

Tá e daí? Mas é corrigir o quê? Acho que já sei sua resposta! Seria?

– É corrigir se as palavras estão escritas conforme convenção ortográfica: é excessão ou exceção?; sociointeracionista ou sócio-interacionista?; imprescindível ou emprecindível?…

– É colocar vírgulas e pontos que faltam ou arrumar os que estão no lugar errado…

– É corrigir concordância nominal e verbal… “Segue anexo os documentos ou seguem anexos os documentos?”

A resposta certa é: ( ) Só a primeira ( ) Só a segunda ( ) Só a terceira ( ) A primeira e a terceira ( ) Todas elas

Isso mesmo, parabéns!!! Todas elas! Todas elas e mil coisas a +++

Revisar um texto é tão complexo quanto fazer reescrita individual com alunos (mas se difere por sua especificidade). Então revisar um texto é observar numa primeira leitura o que é mais aparente no texto: ortografia, pontuação, concordância, regência…

Mas, e como fica a organização sintática que dificulta o significado do texto? O que fazer com sentenças do tipo:

  • “Corto cabelo e pinto
  • “Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a satisfação de seus habitantes
  • “A sua mulher fugiu com seu motorista”
  • “Vende-se carne aos fregueses sem pelanca
  • “Um navio francês entrava no porto um navio inglês”

Pois é… Também tem que corrigir isso tudo, ou seja, tirar partes, colocar outras, recolocar, ver se o verbo está adequado semanticamente, ou se a organização sintática e semântica dá conta do que o produtor do texto quer dizer (como mexer no texto sem tirar a “cara” do dono do texto?), verificar se a ordem interna e dos marcadores textuais de temporalidade sequencial do texto estão certos.

E tem mais… Na sequencia textual, verificar se todas as “amarras” do texto estão sintática e semanticamente ajudando no entendimento do que se quer dizer, pra quem se quer dizer, do tipo de texto que é e seu suporte. Ou seja, linguagem e adequação na articulação das partes e do todo. E ainda: se as repetições comprometem o texto ou não, quais podem ficar e quais devem ser substituídas… e quando trocadas, qual é o melhor mecanismo linguístico pra isso: reiteração por paráfrase, por paralelismo, por substituição lexical ou gramatical, por elipse, por associação de campo semântico, por conexão… e ufaa… padronização (se há o uso um tempo verbal, letra maiúscula ou minúscula, singular ou plural em determinados contextos ou um tipo de organização, tudo deve vir assim do início ao fim do texto). Em outras palavras,  é verificar COESÃO e COERÊNCIA.

Resumindo a ópera, um texto de uma página (dependendo da complexidade do assunto, do tipo de texto e de tudo que foi apontado anteriormente), leva um lonnnnnngo tempo pra fazer RELATIVAMENTE bem (com probabilidade bemmmmm grande – ou melhor, com certeza – de um outro revisor corrigir mais coisas (por questões subjetivas e de estilo, ou porque o primeiro revisor deixou passar mesmo, já que “errar” é humano e persistir no erro em questões de linguagem nem sempre é burrice …).

SIRLEI DO ROCIO CAVALLI

Graduada em Letras Português (UFPR),

Mestrado em Estudos Linguísticos (UFPR),

Doutoranda em Estudos Linguísticos (UFPR)

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