Tapa educa?

Só tapa não educa, só grito não educa, só castigo não educa.

O que educa é atitude. É falar e fazer, cobrar com coerência, estabelecer regras e limites, conversar e principalmente participar da vida dos filhos.

Criança dá trabalho, muito trabalho. Quase sempre prazeiroso, porém às vezes cansativo. Após um dia de trabalho,
não é fácil chegar em casa e dar atenção à família. O que se quer é deitar e descansar, se ocupar das próprias coisas. Nao dá. Filho não se deixa para depois, guardadinho num canto esperando a boa vontade dos pais. A exigência dele é urgente e imediata, ou, instala-se o caos.

Todo tempo e cansaço dispendidos nos primeiros anos de vida trazem ótimos frutos no futuro. Não há como reparar o tempo perdido na infância, há que se “gastá-lo” na época certa. Vale a pena. Sentar com as crianças para brincar, jogar, auxiliar na lição. Convidar os amigos para sua casa, conhecê-los e também aos seus pais, solicitar ajuda nos afazeres de casa, cozinhar, lavar, arrumar. Estabelecer tarefas a serem cumpridas e cobrar sua execução no tempo combinado. Essas são maneiras de crescer e aprender com seu filho.

O adulto quando chega no estágio do tapa demonstra que chegou ao seu limite de resistência, paciência ou o que for. Quem estuda o comportamento da criança sabe que ela está exatamente testando os limites e que vai avançando nos níveis de provocação mesmo após a agressão, principalmente a leve. E o tapa, supostamente, é a forma que o adulto tem para demonstrar sua “força”.

Portanto, o quanto mais protelar o uso da força, seja física ou psicológica, mais autoridade e disciplina se consegue estabelecer. A disciplina é essencial à educação. E, para haver disciplina, é necessária a presença de uma autoridade saudável. O segredo que difere o autoritarismo do comportamento autoritário adotado para que a outra pessoa (no caso, filhos ou alunos) torne-se mais educada ou disciplinada é o respeito à auto-estima.

É claro que quando falo de “tapa” ou “grito” não me refiro absolutamente a violência que sofrem muitas crianças e jovens, mas sim, ao nosso dia-a-dia, nossos conflitos internos do que é certo ou errado na educação familiar.

Deixo aqui um pensamento do Içami Tiba para reflexão: “Tapa de mãe que o filho sabe merecer nunca machuca. Tapa de mãe que o filho sabe merecer e não vem, deseduca.”

Elaine Esmanhotto Bareta                                                                                                                  Psicopedagoga

 

 

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