Por que investir em educação?

Cinco motivos para o Brasil destinar mais recursos e esforços a essa área

Investir em educação provoca uma espécie de efeito dominó às avessas. Em vez de derrubar, alavanca uma série de setores, como o consumo, a saúde, a habitação, a segurança e por aí vai. Pessoas mais bem instruídas têm empregos melhores, salários maiores e, conseqüentemente, um poder de compra maior. Uma população com mais anos de estudo tende a cuidar melhor da saúde e a cometer menos crimes. Muitos especialistas em educação alertam que a relação entre a evolução na qualidade de ensino e a melhora nos índices sociais e econômicos não é tão direta e previsível, mas certamente é consenso entre economistas e educadores que educação de qualidade para todos é condição essencial para o desenvolvimento do país. Confira a seguir cinco motivos para o Brasil apostar dinheiro, tempo e esforços nessa área.
Educação implica em crescimento. Estados Unidos, Japão, Canadá e Coréia do Sul, por exemplo, têm em comum, além da força econômica e da melhor distribuição de renda, o investimento pesado na instrução de seus cidadãos. Segundo um levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), cada ano de estudo representa um acréscimo de 16% no rendimento mensal. Se a pessoa chega então a completar um curso superior, ela recebe, em média, salário 168% maior em comparação com os ganhos de quem não foi além do ensino médio, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

2. O Brasil está ficando para trás em relação a outros países
Nas nações desenvolvidas, em média sessenta de cada cem habitantes chegam à universidade. Nos Estados Unidos a taxa de matrícula no ensino superior é ainda maior, de 90%. O índice brasileiro (20%) equivale à metade dos índices de Chile, Venezuela e Uruguai. Ou seja: se antes estávamos em desvantagem em relação aos países mais ricos, fomos ultrapassados também pelas nações menos desenvolvidas. Investir, no caso dos países que têm a educação como meta, não é apenas uma questão de volume de dinheiro, mas principalmente de foco na qualidade do ensino, sua fiscalização e divulgação como valor. Em 2000, por exemplo, o mau desempenho da Alemanha na prova do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), aplicada em 32 países, foi tratada como um escândalo pela imprensa do país. A Alemanha ficou em último lugar no teste, ao lado do Brasil. Enquanto nós não tomamos nenhuma providência, os germânicos reagiram e assinaram programas de intercâmbio de seus professores com a Finlândia – que ficou em primeiro lugar. Resultado: Na edição do Pisa seguinte, a Alemanha aparecia na 20ª posição numa lista de 41 nações.

3. Falta gente qualificada no mercado de trabalho
O reflexo da falta de formação da população já se faz sentir nas empresas. Há cerca de dois anos o país vem crescendo a um ritmo mais acelerado – passou de 2,5% ao ano para cerca de 4% -, mas o desemprego, que deveria ter diminuído, em alguns setores se agravou, entre eles o da construção civil. A explicação é simples. Embora novos postos de trabalho tenham surgido, não há profissionais suficientemente qualificados para ocupá-los. Considerando-se os avanços tecnológicos cada vez mais acelerados, o cenário futuro deverá ser ainda mais exigente.
Nota: Em nenhum país do mundo 100% dos jovens chega na universidade e isso nem é preciso. Agora, pessoas qualificadas e educadas sim são imprescindíveis. A sociedade precisa de bons pedreiro, açougueiros, enfermeiros, que podem ser capacitados no nivel médio e não precisam ter seus salários tão aquém dos profissionais de nível superior. É a estrutura social que precisa avançar, ser mais igualitária. Elaine Esmanhotto Bareta

4. Investimentos privados pautam ações de prefeitos e secretários municipais
Dos 65 bilhões de reais que o Brasil investe por ano em ensino, apenas 1,5 bilhão são provenientes da iniciativa privada. O número pode parecer pequeno se comparado ao todo, mas custear a educação da população, em qualquer país, sempre foi responsabilidade do governo. Essa participação dos empresários é importante não só do ponto de vista financeiro mas, também, por colocar determinados projetos na vitrine.

5. A baixa qualidade da educação estimula a evasão escolar
Prova de que a qualidade da educação brasileira é baixa, o Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF), calculado pelo Instituto Paulo Montenegro, demonstra que quase um terço da população não consegue ler e compreender textos simples. O ensino fundamental já atende 97% das crianças brasileiras, mas o índice cai para 45,3% no ensino médio. “O acesso à educação cresceu nos últimos 10 anos, mas sua qualidade, paradoxalmente, caiu”, afirma o economista Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. O índice de repetência na primeira série de alunos da rede pública é de 32%. Dois terços dos estudantes de 14 anos estão abaixo da 8ª série, isto é, atrasados. Os maus resultados, claro, desestimulam muitos a seguir em frente.
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