Mesadas: saiba como ensinar os filhos a lidar com dinheiro.

Mesada1) Devo dar mesada?

Ensinar os filhos a lidar com dinheiro não é tão difícil como parece. Os especialistas em educação financeira consultados aconselham os pais a dar a mesada aos filhos como forma de orientá-los a lidar com o dinheiro desde cedo. “A mesada é uma ferramenta muito útil quando as crianças começam a interagir em sociedade e percebem a necessidade de administrar o dinheiro”, avalia Gustavo Cerbasi, autor do best-seller Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”.

2) Por que é importante dar mesada?

É importante que os pais ensinem às crianças noções de responsabilidade, planejamento e limites, ferramentas essenciais para se viver bem em uma sociedade com tantos apelos ao consumo. É claro que isso não significa que uma criança que nunca recebeu mesada terá, necessariamente, de ser um adulto descontrolado; mas vale lembrar que a prática leva à perfeição. Certamente será mais fácil para aquele que desde cedo teve de aprender a controlar suas contas a fazê-lo na vida adulta do que para aquele que sempre teve sua vida financiada pelos pais, de repente, ter de aprender a lidar com o dinheiro.

3) Qual é a idade certa para começar?

O ideal, segundo os especialistas, é que se comece a dar a mesada quando a criança já tem a noção dos números, já sabe contar, e começa a interagir com a sociedade. Por exemplo, quando a criança tem a opção de comprar o lanche da escola, ou quando quer comprar figurinhas para completar o álbum. Isso ocorre por volta dos sete anos, mas é possível já ir treinando a criança antes desta idade.

4) Devo dar mesada ou semanada?

A semanada (dividir a mesada em quatro para que a criança receba o dinheiro por semana) facilita o controle dos gastos. A idade ideal é por volta dos sete anos, quando a criança já sabe fazer cálculos simples.

5) Como começar?

Por volta de cinco anos

A idéia do cofrinho é ótima para dar aos bem pequenos as primeiras noções de economia. Com o cofrinho, a criança aprende que, poupando, pode atingir um objetivo (que pode ser comprar as figurinhas, o lanche, um sorvete, um brinquedo novo). E o que é melhor: ela é quem irá ter controle do seu dinheiro (cabe a ela a decisão de quebrar o cofrinho ou guardar para ter mais). *** Nota minha: evitar deixar muito tempo as moedas fora de circulação: provocar trocas e depósitos bancários com regularidade.

A criança, nesta idade, já pode começar a aprender o que é caro e o que é barato. Também pode compreender que os pais trabalham para receberem dinheiro e poderem comprar as coisas de que necessitam.

– Por volta de 7 anos:

A partir desta idade já é possível dar a semanada, mas o valor deve ser bem pequeno, para que a criança consiga contar e administrar. Os gastos serão pequenos também, já que o objetivo será a compra de doces e figurinhas, por exemplo. Deve-se estabelecer um dia para receber o dinheiro e não se deve antecipar ou atrasar o pagamento, nem complementar o valor. È importante que os pais ajudem os filhos no acompanhamento dos gastos, principalmente nas primeiras semanas, para ver como eles estão se saindo.

– A partir dos 10 anos:

Gustavo Cerbasi aconselha os pais a sentarem com os filhos para decidir que gastos serão cobertos pela semanada: lanche, cinema, lan house, revistas, hobbies. O valor deve ser negociado para que a criança aprenda a noção de limite. Uma boa pedida é estimular a criança a economizar para comprar algo de maior valor. Os pais também podem estimular a criança a guardar algum dinheiro para ajudar os mais necessitados.

6) É correto premiar os filhos por fazer trabalhos domésticos ou ter um bom desempenho escolar?

Não. As tarefas domésticas devem ser repartidas por todos, e estudar é uma obrigação. Se a mãe arruma a cama, ela não recebe nada por isso.

7) Deve-se incentivar os filhos a trabalhar para aumentar a mesada?

Para Gustavo Cerbasi, o empreendedorismo deve ser estimulado, mas não ao ponto de fazer com que a criança deixe de ser criança nem atrapalhar seus estudos. Trabalho infantil, então, nem pensar. Um bom exemplo de empreendedorismo a ser incentivado é aquele em que a criança se dispõe a fazer um pequeno trabalho, como fazer um bolo ou confeccionar alguma bijuteria e vender, a fim de complementar mais rapidamente o dinheiro que necessita para comprar algo que deseja.

8) Deve-se estimular os filhos a poupar?

Sim. Os filhos devem ser estimulados a poupar. Os objetivos podem ser de curto prazo (menos de um ano), como comprar roupas, DVD/CDs ou de longo prazo (mais de um ano), como a compra de um carro, bicicleta, de uma viagem etc.

9) E se os filhos se descontrolarem, os pais devem aumentar a mesada?

Não. Os pais nunca devem complementar a mesada depois que o valor foi definido. É pior complementar mesadas a toda hora do que não dar. A mesada é importante para ensinar a criança a lidar com o dinheiro, a ter controle sobre os seus gastos. Se a criança se descontrola sempre e os pais não impõem limites, a criança fica com a noção errada de que pode gastar tudo o que deseja que sempre haverá alguém para financiá-las.

10) No que os pais podem ajudar?

Os pais podem ajudar dando o exemplo. Não gastar tudo o que ganham, não “comprar” o amor dos filhos com presentes fora de hora, não praticar o desperdício dentro de casa, convidar os filhos participarem do orçamento familiar desde cedo, mostrar que o dinheiro que recebem é fruto do trabalho e que este dinheiro tem limite.

A jornalista Sophia Camargo conversou com o escritor Gustavo Cerbasi, autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos e Dinheiro – Os Segredos de Quem Tem. Cerbasi está preparando o livro Filhos Inteligentes Enriquecem Sozinhos (a ser lançado em outubro/06). Também foram consultados os livros Esticando a Mesada, de Ricardo Rocha e Rodney Vergili e 20 Dicas para Ajudar Você a Educar Seu Filho, de Cássia D’Aquino.

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