AS TOXINAS DA CASA

AS TOXINAS DA CASA SÃO:
objetos que você não usa
roupas que você não gosta ou não usa há tempos
coisas feias
coisas quebradas, lascadas ou rachadas
velhas cartas, bilhetes
plantas mortas ou doentes
recibos/jornais/revistas antigos
remédios vencidos
meias velhas, furadas
sapatos estragados
velharias de todo tipo que te ligam ao passado

OLHA QUE MALUCO:
➖No porão e no sótão, as tralhas viram sobrecarga;
➖Na entrada, restringem o fluxo da vida;
➖Empilhadas no chão, nos puxam para baixo;
➖Acima de nós, são dores de cabeça;
➖Sob a cama, poluem o sono
➖Espalhadas pela casa, entulham a vida.

COM O DESTRALHAMENTO:
A saúde melhora;
A criatividade cresce;
Os relacionamentos se aprimoram;
Há maior capacidade de raciocínio;
Leveza no espírito e no humor

PERGUNTAS QUE AJUDAM O DESTRALHAMENTO:
➕Por que estou guardando isso?
➕Será que tem a ver comigo hoje?
➕O que vou sentir ao liberar isto?

…e vá fazendo pilhas separadas…

Para doar!
Para jogar fora!
Para vender

A LIMPEZA DE DENTRO REFLETE POR FORA

➖livre-se de barulhos,
➖das luzes fortes,
➖das cores berrantes,
➖dos odores químicos,
➖dos revestimentos sintéticos,
➖do que traz lembrança triste…
➖libere mágoas,
➖pare de fumar,
➖termine projetos inacabados.

➕Cultive energia positiva em sua casa.
➕Faça uma limpeza geral e use caixas para organização:

lixo
✅consertos
♻reciclagem
em dúvida
presentes
doação
vender

Comece por gavetas e armários e conclua cada cômodo, faça tudo no seu ritmo…
ENQUANTO FAXINA observe as mudanças acontecendo em ✨VOCÊ✨

À medida em que
limpamos nossa casa física, também colocamos em ordem nossa mente e nosso corpo!

Rumo a contagem regressiva 2018!

*colaboração da amiga Lara.

“OS ALEMÃES E SUA RELAÇÃO COM O CONSUMO – UMA NOVA FORMA DE OLHAR AS COISAS” – POR AUGUSTO LOHMANN

Um dos grandes prazeres de uma viagem está em observar e aprender com o outro. “O destino de alguém não é nunca um lugar, mas uma nova forma de olhar as coisas”, disse uma vez o escritor norte-americano Henry Miller.

Na última viagem que fiz para a Alemanha, considerei uma cena emblemática: um sujeito bem vestido, terno e grava, aparentando seus 30 e poucos anos, entrando em um supermercado com uma bolsa de tecido repleta de garrafas pet vazias e pacientemente as inserindo em uma máquina, uma a uma, em troca de alguns centavos.

Algo de “errado” na cena? Evidentemente que não. Para os demais alemães presentes no supermercado, era uma cena comum. Para mim, como brasileiro, o primeiro pensamento foi que dificilmente poderia presenciar algo do tipo no Brasil.

Uma realidade bem diferente da nossa

No Brasil, o ato de economizar quase sempre é associado a um momento temporário de escassez de recursos ou a um objetivo de consumo específico. Final do mês, faltou dinheiro? Economiza. A pasta de dentes está no fim e não tem outra? Economiza. Foi demitido? Hora de rever os gastos. Quer viajar no fim do ano? Junta dinheiro para gastar tudo na viagem.

Fora desses cenários, a pessoa que para pra pensar antes de fazer um gasto costuma ser rotulada como “mão de vaca”, “muquirana” ou “sovina” – termos pejorativos associados ao sujeito que não “gosta” de gastar dinheiro.

Quem racionaliza os impactos de seus gastos muitas vezes é colocado na mesma categoria de um sujeito que não gasta com nada. O modelo vigente é: Se tenho dinheiro, compro; se não tenho, não compro – ou até compro, mas parcelado a perder de vista.

Os alemães e sua relação com o consumo – um aspecto cultural

Na Alemanha, o “modo de viver” econômico é uma característica cultural do povo alemão, e está totalmente dissociado do quanto você tem (ou não tem) de dinheiro – simplesmente são conceitos distintos.

Ter dinheiro suficiente para comprar algo não significa que você vá de fato comprar sem antes analisar uma série de fatores: isso vale o quanto estão me cobrando? Quanto eu preciso realmente disso?

Costuma-se atribuir essa cultura ao período de grande escassez de recursos vivido pelo povo alemão ao longo das duas grandes Guerras Mundiais.

Independente das razões, fato é que a maior parte dos alemães tem incutido em seu modelo mental o hábito de ser econômico e analisar seus gastos e hábitos de consumo. Uma ótima forma de ilustrar isso é voltar ao exemplo do supermercado para analisar alguns hábitos e comportamentos dos alemães.

Receber troco em balas? Nos supermercados da Alemanha, isso simplesmente não existe!

Lembra do sujeito de terno devolvendo garrafas em uma máquina? O nome dessas máquinas é “Pfandautomat“, e a função delas é justamente receber embalagens (pet ou vidro) vazias. O nome é por conta do “Pfand“, um valor cobrado pelas embalagens no ato da compra e que pode ser recebido de volta quando a pessoa se dá ao trabalho de devolver essas embalagens em uma “Pfandautomat“.

Os alemães e sua relação com o consumo - Uma nova forma de olhar as coisas
Pfandautomat

 

E aqueles centavos de troco que aqui no Brasil a gente acaba deixando pra lá ou recebendo em balas? Nos supermercados da Alemanha isso simplesmente não existe. Se a pessoa tem direito a um troco de 1 centavo, vai receber sua moeda sem precisar brigar por isso. Para o alemão, cada centavo que seja seu por direito é importante.

É raro encontrar um alemão fazendo compras sem a sua ecobag

Outro hábito interessante que observei por lá é que no Brasil ainda estamos engatinhando: o uso de ecobags, aquelas sacolas de tecido que podem ser reutilizadas. É raro encontrar um alemão fazendo compras sem a sua ecobag ou sem um carrinho de compras para minimizar o uso das sacolinhas de plástico – que são cobradas à parte.

No Brasil, esse modelo já foi implementado em muitas redes de supermercados, mas a maior parte das pessoas continua preferindo pagar pelas sacolas de plástico do que levar a sua própria de casa.

Nessa cultura do “ser econômico”, o dinheiro é somente uma das pontas. Direta e indiretamente, todo o modelo de consumo e de aproveitamento dos recursos é impactado por essa característica. Não por acaso, a Alemanha é pioneira em diversas iniciativas de políticas sustentáveis.

A Alemanha recicla 65% dos resíduos produzidos

Para começar, o país possui uma legislação específica para tratar da maneira como os alemães devem separar seu lixo doméstico para descarte, separando os produtos recicláveis em categorias. Se alguém é pego descumprindo a regra, a multa é pesada. Isso explica a Alemanha ser o país que mais recicla em todo o mundo, atingindo incríveis 65% dos resíduos produzidos.

 “The Good Food”  ao invés de jogar alimentos no lixo e supermercado sem embalagens

Em Colônia, na Alemanha, a loja “The Good Food” é especializada em vender alimentos que iriam para o lixo por serem “feios” ou por estarem próximos a data de vencimento (ou até recentemente vencidos). Em alguns casos, o preço do produto é definido pelo comprador, que paga o quanto acha que vale.

O Original Unverpackt, em Berlim, foi o primeiro supermercado do mundo com a proposta de não gerar resíduos. Os produtos são vendidos a granel e não fazem uso das embalagens tradicionais – o cliente é quem leva de casa seus potes e sacolas para acomodar suas compras.

O “Sperrmüll”

Há ainda um “evento” dedicado ao reaproveitamento de produtos descartados por outras pessoas, o “Sperrmüll“:

Em diversas datas definidas ao longo do ano, o alemão pega tudo que não quer mais – móveis, sofás, colchões e afins – e coloca do lado de fora da casa.

Outras pessoas simplesmente passam e pegam aquilo que precisam para suas casas – e não são moradores de rua ou mendigos, são pessoas com dinheiro que optam por uma solução mais sustentável. O que não é reaproveitado por outras pessoas é recolhido pela administração municipal e levado para centros de reciclagem.

Sperrmüll na Alemanha
“Sperrmüll” em rua na Alemanha – Por 3268zauber (Trabalho próprio) – CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

 

Uma nova forma de olhar as coisas

Cuidar do seu lixo; comprar produtos que estão pra vencer; levar seus próprios potes e sacolas para as compras; vasculhar naquilo que o outro descartou a procura de algo que sirva para você. Hábitos que no Brasil olharíamos com profundo preconceito, mas que fazem parte do dia-a-dia dos cidadãos de uma das maiores e mais ricas potências do mundo.

Talvez seja mais do que hora de buscarmos essa “nova forma de olhar as coisas”. Se tem algo que podemos aprender com os alemães é esse modo de consumir mais consciente, baseado em uma gestão mais responsável dos recursos.

 

AUGUSTO LOHMANN É JORNALISTA, PROFESSOR E BLOGUEIRO DE VIAGENS DO “VIAJAR É DEMAIS”. VIAJANDO SEMPRE EM BUSCA DE NOVAS CERVEJAS, DE BOA COMIDA E DAS MELHORES PROMOÇÕES.

Medo da polícia?

policial-1Ficamos tristes com as notícias de policiais que matam porquê se sentem irritados, porquê o som do vizinho está alto, ou porquê desentendeu-se no trânsito. A justificativa de que o tiro é para assustar e “sem querer” atingem alguém não convence, afinal, como qualquer cidadão, não podem usar a arma de fogo fora do exercício da função. Desequilíbrio emocional não “casa” com atividade policial. Esses agentes públicos precisam ser além de exemplos para nossas crianças, porto seguro para a população buscar proteção.

A comunidade pode e deve se aproximar da polícia Civil e Militar, da Guarda Municipal, conhecer seus membros, fazer-se conhecer e buscar em conjunto apoio do Poder Executivo para ampliação dos quadros, formação e cuidados físicos/psicológicos para esses profissionais.

Não queremos que nossos filhos tenham medo da polícia, dos guardas. Precisamos que tenham confiança! 

Se importe!

Meta a colher

Tem um dito popular que diz: “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. Comigo não funciona. Precisamos meter a colher sim. Não só nas brigas entre marido e mulher, para que não ocorra violência física, mas também, meter nossa colher na saúde, na educação, na política. Muitas das situações terríveis que estão acontecendo ao nosso redor são fruto da nossa imobilidade. Vamos nos importar. Vamos mostrar que o BEM é maior e que juntos somos mais fortes! Olhe de verdade para o lado, para o outro. Tome partido, se posicione, argumente, só não se neutralize. VOCÊ é a pessoa que a sociedade precisa!

O melhor de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll

“Meu Deus, meu Deus! Como tudo é esquisito hoje! E ontem tudo era exatamente como de costume. Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu a mesma quando me levantei hoje de manhã? Estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma…” alice-disney

 

“Continuou sentada, de olhos fechados, e meio que acreditou estar no País das Maravilhas, embora soubesse que bastava abrir os olhos para que tudo se transformasse na realidade monótona… “

 

“Quem é você?”, disse a Lagarta.
Não era um começo de conversa muito estimulante. Alice respondeu um pouco tímida: “Eu… eu… no momento não sei, minha senhora… pelo menos sei quem eu era quando me levantei hoje de manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde então”.
“O que você quer dizer?”, disse a Lagarta ríspida. “Explique-se!”
“Acho que infelizmente não posso me explicar, minha senhora”, disse Alice, “porque já não sou eu, entende?”
“Não entendo”, disse a Lagarta.
“Receio não poder me expressar mais claramente”, respondeu Alice muito polida, “pois, para começo de conversa, não entendo a mim mesma. Ter muitos tamanhos num mesmo dia é muito confuso.” 

 

“Gatinho de Cheshire” começou um pouco tímida, pois não sabia se ele gostaria do nome, mas ele abriu ainda mais o sorriso. “Vamos, parece ter gostado até agora”, pensou Alice, e continuou: “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”
“Isso depende bastante de onde você quer chegar”, disse o Gato.
“O lugar não importa muito…”, disse Alice.
“Então não importa o caminho que você vai tomar”, disse o Gato.  

 

Nesta direção”, disse o Gato, girando a pata direita, “mora um Chapeleiro. E nesta direção”, apontando com a pata esquerda, “mora uma Lebre de Março. Visite quem você quiser, ambos são loucos.”
“Mas eu não ando com loucos”, observou  Alice.
“Oh, você não tem como evitar”, disse o Gato, “somos todos loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca.”
“Como é que sabe que eu sou louca?”, disse Alice.
“Você deve ser”, disse o Gato, “senão não teria vindo pra cá.” 

Alice suspirou cansada. “Acho que você poderia aproveitar melhor o seu tempo”, disse, “em vez de desperdiçá-lo propondo charadas que não têm resposta.”
“Se você conhecesse o Tempo como eu conheço”, disse o Chapeleiro, “não falaria em desperdiçá-lo, como se fosse uma coisa. É um senhor.
“Não entendo o que você quer dizer”, disse Alice.
“Claro que não entende!”, disse o Chapeleiro, atirando a cabeça desdenhosamente para trás. “Acho que você nunca sequer falou com o Tempo!”
“Talvez não”, respondeu Alice cautelosamente, “mas sei que tenho de bater o tempo, quando estudo música.”
“Ah! Isso explica tudo”, disse o Chapeleiro. “Ele não suporta ser batido. Agora, se você mantivesse boas relações com o Tempo, ele faria quase tudo o que você quisesse com o relógio.” 

 

Do BLOG:  NOTATERAPIA (Luisa Bertrami D’Angelo)

 

EDUCAÇÃO QUE VEM DE BERÇO

BERÇO

Há alguns anos, os berços existiam apenas nas residências, num quarto próprio ou no quarto dos pais, e ali já começavam os cuidados e a educação com os filhos. Desde o asseio até a preocupação com a segurança, os limites, os horários de comer, brincar e descansar eram responsabilidade dos responsáveis, que permaneciam 24h, todos os dias da semana com os bebês e as crianças, dividindo por vezes com algum vizinho ou parente próximo.

Com a modernidade e o fato dos pais/avós trabalharem cada vez mais tempo fora de casa, surgem com força total as escolinhas, creches, CMEI’s que passam a receber as crianças, desde a mais tenra idade e participar da educação dos mesmos. Sim! Educação vem de casa! Mas e quando o pequeno cidadão passa 9, 10 horas por dia, 5 dias por semana fora? A “creche” passa a incorporar um conjunto de responsabilidades que não eram vistas tipicamente como dela, mas que, se não estiverem garantidas, podem inviabilizar o trabalho pedagógico.

Por exemplo, se maioria das refeições semanais são feitas lá, como não “orientar” as crianças a se portar à mesa, mastigar direito, usar os talheres e o guardanapo? Essa e tantas outras situações do cotidiano precisam de orientação constante do adulto responsável naquele momento, seja ele pai, mãe, avó, professor… Portanto, cada vez mais, e mais cedo, a PARCERIA com a família é fundamental para o bom desenvolvimento dos nossos filhos!

MEU CORAÇÃO ESTÁ AOS PULOS

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filha”. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.” Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

Elisa Lucinda

Elisa Lucinda (1958) é uma poetisa, escritora, jornalista e atriz brasileira.

A menina do vestido azul

Num bairro muito pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito
bonita.
Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado e a criança
quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram velhas e maltratadas.
Até um dia em que um professor penalizou-se com a menininha. Como uma
garota tão bonita pode vir para a escola tão mal arrumada? Separou algum
dinheiro de seu salário e, embora com dificuldade, lhe comprou um vestido
novo. A garotinha ficou ainda mais bonita no seu vestidinho azul.
Quando a mãe viu a menina naquele vestido azul, sentiu que era lamentável
que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão sujinha para a escola. Por
isso passou a lhe dar banho todos os dias, pentear seus cabelos, cortar e
limpar suas unhas.
Depois de uma semana, o pai falou: “Mulher, você não acha uma vergonha que
nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um lugar como este,
caindo aos pedaços? Que tal ajeitar a casa? Nas horas vagas vou pintar as
paredes, consertar a cerca e plantar um jardim”.
Em pouco tempo a casa da garotinha destacava-se na pequena vila pela
beleza das flores que enchiam o jardim, pela limpeza, pelo capricho de seus
moradores com seus pequenos detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados
por morar em barracos feios e resolveram também arrumar suas casas, plantar
flores, usar pintura, água e sabão, além de criatividade.
Logo, o bairro estava todo transformado. Um homem que acompanhava os
esforços e as lutas daquela gente achou que eles bem que mereciam um
auxílio das autoridades. Foi ao prefeito e expôs suas idéias e saiu de lá com
autorização para formar uma comissão para estudar os melhoramentos que
seriam necessários no bairro.
A rua de lama foi substituída por asfalto e calçadas de pedra. Os esgotos a céu
aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de cidadania.
Tudo começou com um vestidinho azul.
Não era a intenção daquele professor consertar a rua, nem criar um organismo
que socorresse o bairro. Ele fez o que podia apenas a parte que lhe cabia.
Qual será a parte de cada um de nós? Será que basta apontar os buracos da
rua, reclamar dos erros do vizinho e cuidar apenas do portão para dentro?
É difícil mudar o estado total das coisas. É difícil varrer toda a rua, mas é fácil
varrer nossa calçada. É difícil modificar o bairro, mas podemos começar pela
nossa casa, deixando-a mais bonita. É difícil reconstruir o planeta, mas é
possível dar um vestido azul.

O que é ser pai?

No universo sociológico ser pai e/ou mãe são status, ou seja, posições que você ocupa como membro de um dado grupo social, neste caso, o grupo social família. Tem-se família aqui como “laços de descendência por consanguinidade ou por afinidade” (OLIVEIRA, 2003; DURHAM ,1983;ABREU, 1982; …), ou seja, não importa se seja ou não descendentes biológicos, podem ser adotivos, ou adotados por afinidade, todos são família.

E, quando pensamos em pai/ mãe, geralmente, associamos estas posições as pessoas que os ocupam, ou seja, os genitores, os seres biológicos que com a ajuda de seu óvulo ou espermatozóide contribuiu para que as crianças viessem a este mundo. Contudo, cada posição possui um papel social, ou seja “um conjunto de expectativas acerca do que o indivíduo que ocupa a posição deve fazer”. Logo, ao ocupar a posição de pai, o que é experado que quem a ocupe faça? E da de mãe? O que uma mãe deve fazer?

Assim, pai, mãe e filhos são posições que vão sendo preenchidas conforme a cultura, ou seja, valores, crenças acerca do que cada pessoa ao ocupá-las fará… Porém, em decorrência da diversidade cultural, do fato de sermos mais que sujeitos sociais, mas sim indivíduos, com vivências, experiências, subjetividades… Cada um de nós irá dar o seu toque a interpretação aos papéis, acrescentando falas e outras expectativas que antes, não existiam, ampliando o papel.

E, nestas ampliações do papel social correspondente ao ser pai ou mãe, tem-se que qualquer pessoa independente do sexo, pode na família, ora ocupar a posição do pai (prover, dar segurança, proteger), ora a da mãe (acolher, cuidar, proteger, dar as direções, …) ou a do (a) filho (a) ( quer carinho, proteção, cuidados).

Logo, pode-se dizer que na família estamos constantemente dialogando com as várias posições (mãe/ pai/ filho (a)). E, ao ocupá-las os papeis corresponentes devem ser desempenhados a contento. E, neste momento, percebe-se como é difícil ser pai, ser mãe e ser filho (a), envolto em “n” expectativas, acerca do que se deve fazer, do como se portar, … Uma sobrecarga, as vezes enorme, principalmente para quem é mãe solteira ou pai solteiro (entenda-se que aqui entram todos aqueles que cuidam dos filhos, independente de serem estes pais biológicos ou adotivos ).

Deseja-se o melhor para o (a) filho (a), mas deve-se aprender a ouvi-los acerca deste melhor… Dialogar, conversar, observar,participar da vida, enfim, quantos ensinamentos e aprendizagens… E, na escola, observar o crescimento, as dificuldades, tentar sanar as dificuldades, intervir, conversar… Professoras que são apenas professoras co-repetidoras e não educadoras, que ao serem interpeladas acerca do que fazer para melhorar o aprendizado, sentem-se acuadas e terminam “marcando” os (as) filhos (as) que estão em processo de formação (Ensino Fundamental) e veem -se diante de um obstaculo que é maior que o físico, mas é psiquico, o readquirir a auto-estima, sentir-se capaz de realizar a atividade, convivendo com este tipo de exemplo de professor, que ao meu ver, deveria desistir da docencia, pois, realmente, não acrescenta e nem faz jus a profissão… E, nós pais, apreensivos, com uma sobrecarga de status (temos trabalho, casa, escola, filhos,….) aumenta a ansiedade, a preocupação, o nervosismo, que acaba mais dificultando que ajudando…

Rever posturas, valores, atitudes, enfim, rever a própria vida, é uma grande grande arte. A arte da humildade, frente ao fato de que ninguém nasce pai ou mãe, ou até mesmo filho (a), vamos aprendendo a ser num continuo processo do aprender, a cada etapa da vida.

Feliz dia dos PAIS!! DAS MÃES – PAIS!!! DOS AVÔS/ TIOS- AMIGOS PAIS!!!

Por Marcia Adriana Lima de Oliveira
Referência
OLIVEIRA, Marcia Adriana L. de. Separações e Divórcios: elementos que fazem parte da dinâmica familiar ou elementos de desestruturação desta? In: Revista CEUT, v.3, nº3. Teresina-Pi: CEUT, 2003
*Originalmente publicado no blog Universo Sócio-Antropológico, administrado pela autora desse texto.

Aprendi tudo no Jardim de Infância!

desenho1Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia.
Estas são as coisas que aprendi:

1. Compartilhe tudo;
2. Jogue dentro das regras;
3. Não bata nos outros;
4. Coloque as coisas de volta onde pegou;
5. Arrume sua bagunça;
6. Não pegue as coisas dos outros;
7. Peça desculpas quando machucar alguém; mas peça mesmo !!!
8. Lave as mãos antes de comer e agradeça a Deus antes de deitar;
9. Dê descarga; (esse é importante)
10. Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você;
11. Respeite o limite dos outros;
12. Leve uma vid
a equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco… desenhe… pinte… cante… dance… brinque… trabalhe um pouco todos os dias;
13. Tire uma soneca a tarde; (isso é muito bom)
14. Quando sair, cuidado com os carros;
15. Dê a mão e fique junto;
16. Repare nas maravilhas da vida;
17. O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem… nós também.

Pegue qualquer um desses itens, coloque-os em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo, ao seu mundo e vai ver como ele é verdadeiro, claro e firme. Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos e leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra básica, devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair. Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver“…

“Buz Luhrmann”